Sou psicanalista de orientação lacaniana, formado pelo Centro de Estudos Psicanalíticos, e participante das Formações Clínicas do Fórum do Campo Lacaniano de São Paulo.
Uma análise é uma aposta radical na fala. Muitos dos nossos sofrimentos são produzidos nas tramas da linguagem e é pela própria palavra que podem ser desenredados. Mais radicalmente ainda, o mundo em que vivemos é tecido por discursos que nos antecedem e nos determinam. Somos atravessados por histórias que começaram antes de nós e que continuam a nos constituir. De algum modo, tornamo-nos mestres em repeti-las. Reeditamos os mesmos enredos até o ponto em que algo falha, tropeça, escapa ao controle. Algo deixa de funcionar. É nesse momento que se procura um espaço onde se possa falar daquilo que já não funciona.
E nesse intervalo, quando a engrenagem habitual vacila, o inconsciente se faz ouvir. Um lapso, um equívoco, uma frase que surpreende quem a diz indicam que há um saber em jogo que não coincide com a consciência. A escuta analítica sustenta esse ponto sem apressar sentidos, mantendo aberta a pergunta que cada fala carrega.
Sustentar essa experiência até suas consequências implica deslocar as ficções que organizam a imagem que construímos de nós mesmos. A análise não confirma identidades; ela as interroga. Ao invés de reforçar comparações e ideais, permite que o sujeito se desprenda da dependência ao olhar do outro e consinta em ocupar seu lugar singular.
É nesse ponto que o desejo pode operar como bússola. Não como ideal a ser alcançado nem como objeto claramente definido, mas como orientação singular que se revela no próprio percurso da fala. Quando as identificações se afrouxam e as certezas vacilam, algo do desejo pode emergir como direção possível, ainda que sem garantias. A função do analista é sustentar as condições para que essa direção se delineie.
Essa travessia não promete completude. Ela reinscreve o sujeito em sua própria finitude e modifica sua relação com o impossível. Não se trata de vencer ou eliminar aquilo que escapa, mas de reconhecer seus limites estruturais e deixar de se defender contra o que não pode ser apagado. A partir daí, a responsabilidade deixa de ser um peso moral e torna-se posição diante do próprio desejo.
Atendo presencialmente em São José dos Campos e também online, para falantes de português.